Istambul – 28 de junho de 2013

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Tudo me tem atravessado e arremessado em mil direções. Às vezes, desejaria ser um dervishe girante, entregue ao rodopio do corpo descansando circularmente no cosmos. Ar. Acho que já não me sinto mais à deriva nesse turbilhão. Processo mil imagens a cada momento, como diafragmas múltiplos fotografando o espaço de cada poro da pele. Minhas superfícies fisgam o ambiente como os pescadores crivam de anzóis o mar do Bósphoro. Muitas impressões escapam à rede verbal com que parcamente dou conta de testemunhar. Viajar não é fácil, são muitos os caminhos. Fico tonta com tantos giros. Do alto dos minaretes, em todas as mesquitas, soam os cantos devocionais que convocam os muçulmanos às obrigações religiosas. Todos vão a Deus. Chamados vindos de todos os lados cruzam os céus de Istambul cinco vezes ao dia, rasgando como um relâmpago incandescente o caos da cidade e impondo um vigoroso princípio de ordem. Não há como não se sentir intimidado e pequeno. É grandioso, porém banal. O cotidiano fecundado por algo que atravessa. Penso que os cantos modais cumprem essa função de estabelecer um eixo transcendente em torno do qual se funda todo o cosmos social. Assim como o dervishe girando sobre si. Fundar o tempo e o espaço ao entoar a música que embala a vida dos seres humanos comuns… Assim como dançam as partículas em torno do Sol.

Istambul
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