Botswana… Janaína… Olhares

Postado em Atualizado em

“Ná,

desculpe a demora em responder seu último email (…) O camp está cheio, gente do mundo todo! Ontem tinham alemães, ingleses… Hoje passei a manhã na comunidade, num evento de proteção aos Urubus… É isso mesmo, eles são super importantes para o ecossistema e as crianças da comunidade devem aprender. Teve musica, dança, foi bem legal!!! Ontem a noite o leão rugiu… E o céu estava lindo, dando pra ver a Via Láctea!!! Sonho de verdade.

MUITOS BEIJOS e obrigada por tudo, mais do que entrevista, do que palavras, mas o que a gente aprende com as pessoas que aparecem na nossa vida!

Jana

Botswana, 06/08/2013

Entrevista com Janaína Matarazzo

– Leia também o artigo: Assim na África, como aqui.

Nathalia – Eu fico pensando no que teria levado Janaína Matarazzo à África, para viver num safári camp, trabalhando num projeto ecológico… Fale um pouco sobre sua trajetória antes de ir para lá. Você já era fotógrafa?

Janaína – Então, na verdade ainda não. Quando cursei Design na universidade, eu já curtia bastante a fotografia e trabalhava como assistente de um fotógrafo de moda… Eu tinha uns 19 anos e foi nessa fase que eu saí de casa. Já trabalhava nesse estúdio e o meu foco era sobreviver. Então comecei a fazer outras coisas ligadas a design e acabei me afastando um pouco da fotografia, porque minha história não era moda. Aí fui corretora de imóveis por seis anos… Eu gostava de encontrar lugares legais para morar em São Paulo! Hahaha… E acabava sempre ajudando meus amigos a achar apartamentos, aí decidi fazer isso profissionalmente. E foi muito legal, porque todas as pessoas para quem eu encontrei um lar acabaram tendo uma história feliz ali, foi gratificante. Mas depois eu me cansei dessa missão… Senti que precisava partir em busca de novos aprendizados, um novo desafio.

Nathalia – E de onde vem esse engajamento com a questão ambiental?

Janaína – Eu sempre tive uma conexão muito forte com os animais. Sempre conversei com meus cachorros como se fossem pessoas! E bom, nessa época em que eu parei de trabalhar como corretora, eu já estava querendo trabalhar numa ONG. Aliás, quando eu era bem nova, meu sonho era trabalhar no Green Peace. Então, eu já era filiada ao Partido Verde e achava que devia me tornar uma ativista. Daí fui fazer uma formação de Terceiro Setor na USP, que na época era um curso novo. Tentei trabalhar em organizações como Instituto Ayrton Senna, Fundação Abrinq ou a Acatu, todo esse meio que hoje ficou bastante amplo. Acabei não conseguindo uma vaga nesses lugares, aí fui trabalhar na Prefeitura de São Paulo por um tempo, na secretaria de esportes. Porque chega um momento em que você aprende que se você quer promover a mudança isso tem que passar pelo governo. E eu tive a oportunidade de trabalhar na prefeitura por uns sete meses. Aí eu fiquei meio puta com tudo o que eu vi lá, sabe…

Nathalia – O que mais te incomodou?

Janaína – Ah, é o funcionário público que não trabalha, é o sistema todo. Acabei entrando em contato com um pouco de cada coisa, conheci toda a história da cracolândia, visitei todos os parques públicos da cidade, vi também a situação dos jovens órfãos que estão sob a tutela da prefeitura…  Que são adolescentes sem família ou moradia e que ficam sob a responsabilidade do poder público, aí tem todo um acompanhamento psiquiátrico etc. Então, eu fiquei conhecendo toda a estrutura social da cidade de São Paulo. Aí, depois desse período eu pensei assim: ‘Será que eu vou ficar aqui a minha vida inteira tentando mudar uma história que eu nem sei se vai mudar’? E também eu já não me via mais morando em São Paulo, não havia nada que eu quisesse fazer. Estava faltando alguma coisa. E já estava pensando em ir para algum lugar onde eu não visse mais prédios… Só natureza. Aí eu comecei a pesquisar projetos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Mas eu tinha esse chamado da África, era um sonho de ver os leões. E aconteceu de achar esse lugar em Botswana, através de um amigo. Aí foi todo um processo. Eu cheguei lá e tudo me absorveu… Os sons dos bichos, as árvores, eu prestava atenção em tudo.

Nathalia – Conte um pouco como foi essa chegada.

Janaína – Quando eu cheguei ao acampamento… Nossa… Foi uma sensação de como se eu já tivesse estado lá, sei lá, não sei explicar. Eu prestava atenção em tudo, mas ao mesmo tempo me sentia muito confortável. Tudo me absorvia… Havia o medo dos animais, é óbvio, mas era como se estivesse voltando para algum lugar, não sei… Eu sentia que ‘Ufa, cheguei! Sabe? Foi muito forte.

Janaina Matarazzo

Nathalia – Como se tivesse voltado pra casa… Foi imediato?

Janaína – Imediato.

Nathalia – É curioso isso em relação à África… Conheço uma pessoa que foi trabalhar como intérprete na copa da África do Sul. E ela conta que na primeira noite que chegou, antes de dormir, ela preparou o despertador para tocar às 7hs da manhã, pois já tinha compromisso logo cedo. Ocorre, porém, que ela não conseguiu acordar: dormiu profundamente até muitas horas depois. Ela diz que esse foi o sono mais restaurador da vida dela. Como se ela tivesse se recuperado de um cansaço ancestral! A gente costuma se referir a este lugar como a ‘mãe-África’, o berço da humanidade… De fato, talvez ali tenha mesmo uma certa atmosfera de acolhimento arquetípico.

Janaína – É, porque lá tem mesmo esse negócio das origens… Você se sente assim como num ‘Jardim do Éden’. É como o começo de tudo. Então você fala “poxa, eu quero ficar aqui! Aqui é que é legal!”. Você pensa que é assim que a gente devia estar vivendo… Tipo, vamos parar e começar tudo de novo?!

Janaina MatarazzoNathalia – Isso é bem compreensível… Ainda mais vindo de um processo de desencantamento total com São Paulo, não é? Quer dizer, depois de um estágio pelas periferias, pelos abandonos e as cracolândias, imagino que você já não conseguia mais olhar para a cidade da mesma forma, não é?

Janaína – Ah, não… Não dá. Mas também conheci muita gente legal nesse período. Conheci o pessoal que fazia aquele projeto de boxe embaixo do viaduto da Av. 9 de Julho, tinha também aquele projeto de skate nas prisões… Até hoje tenho amigos que fiz nessa época. Então conheci gente simples que vai até a prefeitura e diz ‘eu tenho um projeto, me ajuda a fazer?’. Aí você vê que realmente todo mundo devia estar envolvido com a prefeitura, porque é o sistema que faz tudo acontecer, né?

Nathalia – Ou que não faz…

Janaína – É, mas todo mundo é responsável por isso, porque não participa. Se você reclama, você no mínimo tem que ir lá ver o que é que está acontecendo. Então vamos parar de ficar falando e vamos lá ver como é! Sabe? A subprefeitura é um lugar onde todo mundo devia ir, ao menos, uma vez por mês para saber o que está acontecendo. Mas, em geral, a gente não tem esse envolvimento. Bom, eu sempre quis contribuir de alguma forma… Só que aí chegou um momento em que eu tive de reconhecer que já não dava mais pra encarar, porque o sistema todo está muito comprometido. Os funcionários públicos não produzem e isso é um fato. É um sistema falho, no qual você contrata um monte de gente que não trabalha. Há, sem dúvida, a sua pequena porcentagem de exceção, mas a maioria está lá pendurada. E isso acontece em todos os setores e lugares. Eu trabalhei no Clube Pelezão, na Lapa, onde os funcionários chegavam as 10hs30 da manhã, paravam duas horas para o almoço e iam embora às 16hs30! E enquanto estavam lá eles se sentavam e simplesmente não faziam nada. Entendeu? E você não tem como demitir essas pessoas, porque é praticamente cargo vitalício… Uma vez que o cara entrou lá só sai na hora de se aposentar.  Aí pensei ‘eu não vou ficar aqui’. Vieram as eleições e eu decidi sair por uns três meses. Mas não foi fácil o processo de ir morar em Botswana, foi bem difícil. Conseguir vistos, implementar projetos…

Nathalia – Ah é?

Janaína – Sim, porque eu comecei a fazer muito projeto com a comunidade e eles têm resistência a mudanças. Eu quebrei vários paradigmas lá.

Nathalia – Por exemplo…

Janaína – Eu comecei a trabalhar com os jovens da comunidade local para desenvolver projetos de arte. Porque a idéia era aliviar a dependência econômica da comunidade em torno da pecuária, mostrando a eles os benefícios do turismo. Tirar a pressão da sobrevivência por meio da criação de boi e vaca, porque o grande conflito que acontece na região é entre vida selvagem e pecuária. Os homens matam os bichos porque eles atacam o gado ou porque eles servem de alimento. Eles olham para uma tartaruga e pensam ‘hum, que delícia’. Então a equação é essa: vamos dar a eles lucro com o turismo, mostrando que para isso é necessário preservar a vida selvagem, já que os turistas vêm para ver os animais. Aí começamos a trabalhar com os jovens, desenvolvendo produtos artesanais e criando uma loja no camp onde eles poderiam vender esses produtos e ganhar dinheiro.

IMG_0695

Nathalia – Isso foi você quem introduziu?

Janaína – Sim. Aí eles poderiam começar a entender que dá pra ganhar dinheiro de outra forma. Porque não adianta, a coisa tem que acontecer pelo financeiro, a comunidade precisa ter uma fonte de renda pra sobreviver. Aí, aconteceu que uma vez o líder da comunidade chegou e me cumprimentou pelo trabalho que estávamos fazendo com os meninos e tal, mas em seguida reclamou que eles estavam ganhando muito dinheiro. Então, os jovens vieram até mim e me pediram para não contar mais a ninguém quanto eles estavam ganhando, porque isso esbarrou numa questão cultural deles, que é o interdito de que os jovens jamais poderiam ser mais ricos que os mais velhos. E os meninos vieram dizer que os mais velhos estavam ficando contrariados porque os jovens estavam ganhando muito dinheiro, logo ganhando poder. Aí eu concordei em ficar quieta e propus a eles que, a partir dali, ganharíamos mais dinheiro, só que sem contar pra ninguém!

Nathalia – E como foi apresentar essas propostas dentro do camp? Fale um pouco sobre a relação com o Camp… Quem é o proprietário do lugar?

Janaína – É o David. Um inglês que tem uma longa história de safári… O pai dele já fazia safári de caça. Eles vieram do Quênia, assim como outras famílias inglesas que migraram para lá, há muito anos. Ou seja, são duas gerações envolvidas nesse negócio. Mas, ao contrário do pai, que trabalhava com o turismo voltado à caça, o David e o irmão começaram a fazer safári fotográfico. E aí o David ficou com o safari camp, enquanto o irmão dele seguiu fazendo mobile safari.

Janaina Matarazzo

Nathalia – Como funciona esse tipo de safári?

Janaína – O mobile safari é um safári itinerante, ou seja, você não se instala definitivamente num parque. Você monta acampamentos provisórios em determinados pontos acompanhando a rota migratória dos animais, de modo a poder oferecer safári turístico o ano inteiro. Já o acampamento onde eu vivo é fixo e permanente, embora tudo seja feito em tendas.

Nathalia – Mas você falava sobre a sua chegada lá…

Janaína – Então… Aí, o que aconteceu: alguns anos após a criação do camp, houve o surto da febre aftosa, que atacava o gado. Nesse período, o governo começou a cercar os territórios da pecuária para separá-los dos animais selvagens que, segundo ficou provado, eram os agentes da contaminação. Porque Botswana é um dos maiores fornecedores de bife para a Europa, então veio uma comitiva europeia que interveio diretamente no governo e acabou se decidindo dividir os ‘dois mundos’ para evitar o contágio e, dessa forma, proteger a produção de carne bovina. Na realidade, a cerca também foi uma exigência dos povos que habitam o local, para apartar animais ferozes, proteger as plantações dos elefantes etc. Nessa época, o David já tinha o camp, que está localizado bem em frente a um trecho do rio estava seco quando eu cheguei lá. E ele via muitos bichos morrendo, porque ficarma impedidos de acessar a outra parte do leito onde ainda havia água e que ficou cercada para o lado do povo e do gado. O governo foi lá e criou poços artificiais para os animais, mas isso nunca funcionou. Eram umas poças horrorosas e, de qualquer maneira, isso não dá certo com os bichos selvagens. Eles têm roteiros migratórios, é o caminho deles… Não é como um cachorrinho que você coloca o potinho de água ele aprende a ir lá. Não é assim. Então o David acompanhou essa fase da seca, da consequente morte dos bichos e ficou louco da vida…

Janaina MatarazzoNathalia – Isso foi em que ano?

Janaína – Foi em 2003. Aí ele chamou os Green Peaces da Inglaterra, uma agência bem importante. Fizeram matérias impactantes e receberam até algumas mensagens do governo para que parassem de divulgar o assunto. Claro, porque tudo isso envolve muita politicagem. Então, quando o David viu o que estava acontecendo com a vida selvagem após a implantação da cerca ele decidiu criar dois poços d’água em frente ao camp e fundou a ONG Water For Life (‘Água para a vida’), a fim de arrecadar fundos para a manutenção desses poços. Porque os custos eram altos. Imagine ter que puxar água constantemente para uma manada de elefantes, de zebras e wildbeasts? Além disso, os elefantes viviam quebrando os canos; havia também os gastos com combustível, pois esses poços funcionavam através de geradores que bombeavam a água. Então foi essa a solução provisória que a Water For Life encontrou, pois o governo não tinha planos de remover a cerca. E foi durante esse projeto que o David percebeu a necessidade de trabalhar com a comunidade local próxima, educando as pessoas sobre a importância do Turismo e dos animais selvagens. Porque o povo não tem muitas outras opções de sobrevivência além das vacas, dos bois, jegues e bodes. Portanto, o David começou com a ideia de oferecer uma estadia mais longa aos turistas pra que eles tomassem conhecimento do que estava acontecendo na região e pudessem atuar como voluntários. Só que é um projeto pago, porque há os custos da estadia. E você vai com um visto de turista, não de trabalho. Eu já havia mandado muitos emails pedindo a ele para ir lá trabalhar sem ter de pagar, mas no final acabei indo no esquema normal e entendo que a coisa tem de ser assim.

Nathalia – É muito caro?

Janaína – Eu paguei $4000,00 dólares para ficar lá por três meses… Foi uma decisão. Porque não havia outra forma de me aproximar daquele contexto. Como é que eu ía me enfiar no meio dos leões? Você não chega a pé num lugar desses, é necessária toda uma estrutura! Aí eu tive uma relação amorosa com o David no início do processo, o que acabou contribuindo para eu ficasse por lá, após os três meses. Esse namoro foi muito importante, pois foi o que me fez continuar, me incentivou a insistir. Porque, de outra forma, talvez jamais tivesse rolado uma conversa com ele sobre a hipótese de eu permanecer no camp trabalhando. E ele tampouco estava necessitando de gente lá. Aliás, até hoje eu sou a única pessoa que trabalha no projeto, porque é necessário dinheiro para manter alguém que faça as coisas, que cuide dos vistos, tenha gás pra fazer tudo etc. Além disso, o David também estava muito acostumado aos turistas jovens que chegavam mais no clima de curtir, sem a intenção de ficar ou de atuar de verdade. Então, ele percebeu que eu tinha realmente ficado impressionada e envolvida com toda a história e me propôs ficar e trabalhar. Aí nós entramos com um visto de um ano para a minha aplicação como voluntária.

jana-pessoas7Nathalia – Mas, antes de você seguir, eu queria que me relatasse um pouco como foram esses primeiros 3 meses… Como era o seu dia-a-dia?

Janaína – Então, primeiro você tem que aprender sobre o ambiente onde você está. Era tudo muito novo… Eu fiquei entendendo sobre todo esse lance de acampar, sabendo que o tempo inteiro você está em contato com bichos. Você tem que saber que há escorpiões, aprender quais são as cobras venenosas, o que você faz quando vê elefante, coisas do tipo. Essas primeiras semanas foram entender o que era estar no meio de tudo isso, além de auxiliar no dia-a-dia do camp, só que de uma forma mais turística. Então, eu ajudava no refeitório como garçonete, dava assistência para o pessoal envolvido com construção etc… Inclusive depois eu mudei um pouco esse esquema, porque a coisa ficava muito centrada em ‘ajudar o camp’ e pouco sobre ‘entender o projeto’. Muitos jovens ingleses iam para lá e, passados os três meses, eles nem sabiam o nome do projeto! Eu me perguntava o que eles estavam fazendo ali. Mais interessados em tomar a cerveja no fim da tarde do que se inteirar das histórias… Juro, não é brincadeira.

Nathalia – Porque a pessoa está pagando, logo não se sente obrigada a se envolver com a coisa…

Janaína – Pois é. Aí eu fui propondo coisas, criando projetos na comunidade… Porque o David era sempre sozinho para fazer tudo. Então, nesses três meses eu procurei aprender tudo sobre o projeto, sobre como a coisa funcionava. Conversava muito com o pessoal de lá para entender. Por que cercar, porque não cercar, por que matar bichos, etc… Entender também a cultura local. Aí você vai pegando o quadro todo, encaixando as coisas. Daí eu surgi com a ideia da lojinha no camp, pra gente vender coisas e poder arrecadar dinheiro. Comecei a propor ações de trabalho já nessa fase inicial. Mas, nesses primeiros meses, eu ainda só tinha uma câmera bem pequena, nem cheguei a tirar foto. Eu estava realmente observando, sentindo, absorvendo… Então eu chego à África sem pensar em fotografia, era mesmo para viver a viagem. Aí acabei ficando em Botswana por cinco meses. Depois disso, voltei para o Brasil pra organizar minha vida e aí comprei uma câmera digital, só que de uma qualidade mais legal que as comuns – até então o objetivo ainda era só relatar. Só que aí eu comecei a me dar conta de quanta coisa linda eu estava vendo e decidi que, quando tivesse condições, compraria uma máquina melhor. Porque eu sempre gostei de fotografar, mas no começo ainda estava só sentindo o lugar, digerindo e entendendo tudo. Então comecei a olhar as fotos que fui fazendo e senti um desejo de um dia fazer uma exposição, mas para isso eu precisava de uma câmera ainda melhor. Depois de dois anos e meio juntando recursos, eu comprei uma câmera de qualidade… Demorou pra conseguir, porque eu ainda não estava ganhando muito dinheiro! Foi só no ano passado que eu pude comprar uma boa lente. Então a brincadeira custa caro.

jana-pessoas8Nathalia – E como é que o camp sobrevive economicamente? Quem compra os produtos dessa lojinha?

Janaína – O camp sobrevive do turismo de safári. De turistas que ficam ali por duas ou três noites. É difícil fazer dinheiro com safári. Normalmente as empresas que trabalham no ramo operam com uns três locais de safári, ou seja, possuem uma estrutura maior… Aí sim, se consegue fazer dinheiro dessa forma. Mas quando você só tem um negócio é mais difícil. Porque a coisa envolve muito investimento, pois você precisa de carros, tendas, estrada, além da manutenção de toda estrutura. E você tem a época de baixa estação em que o turismo é quase nulo, pois os animais migram para outras regiões. Ou seja, você aprende a ganhar dinheiro só seis meses por ano, nas altas temporadas.Janaina Matarazzo

Nathalia – Fale um pouco sobre seu contato com os animais… Foi tenso no começo?

Janaína – Não, foi o máximo! Claro, teve alguns momentos tensos. Uma vez eu fui apagar uma vela e tinha uma cobra bem ao lado, muito perto. Eu apaguei a vela e a vi ali. Eu estava sozinha e ela tão perto de mim que eu simplesmente olhei e pensei ‘nossa, mas o que você está fazendo aí?’. E foi com tanta calma que nem eu acreditei nessa minha reação. Mas da vez que eu tomei a picada do escorpião, fiquei puta! Eu xinguei tanto o escorpião! Porque foram quatro dias de dor alucinante!!! Mas aí eu olho para esses bichos hoje em dia e consigo entender como eles são. Eu fiquei muito brava porque ele me picou, mas consigo entender a natureza deles. Só que foi bem difícil, veneno é um negócio que dói. Eu não tinha noção do que era isso.

Nathalia – Quais são os riscos a que você está exposta estando ali? Você sai sozinha pelo parque?

Janaína – Andando pelo parque? Não! Não pode. Mas de carro sim, adoro… Já tive um encontro com um leopardo. Eu estava sozinha, de carro. Foi o máximo. Quando você está sozinha, você sente que tem uma força diferente… Eu comecei a me ligar nessa coisa de xamanismo depois do primeiro ano que eu cheguei lá. Comecei a estudar e a ver que havia essa conexão forte com os animais. Aí pesquisei muito o tema ‘safari xamãnico’, para saber se alguém estava fazendo esse tipo de trabalho, mas não encontrei nada! Eu pensei ‘nossa, como é que ninguém ainda juntou safári com xamanismo?!’. Aí, depois de pesquisar muito, acabei descobrindo uma xamã norte-americana chamada Julie, que vive no Colorado, EUA. Sincronicamente, ela estava pra vir a Botswana com um grupo, realizar uma vivência. Entrei em contato para manifestar meu desejo de participar, mas acabou que ela cancelou o trabalho por falta de participantes. Aí propus que ela viesse fazer o workshop lá no camp. Antes de vir, porém, ela fez uma jornada para mim e me mandou um email incrível relatando todas as visões e mensagens que ela recebeu… Falava sobre como foi que eu cheguei à África, quais os animais que me guiaram nesse caminho, coisas muito profundas que me fizeram compreender ainda mais tudo aquilo, o porquê de eu estar lá. Então ela foi pra lá e fez o workshop xamânico no espaço de uma mulher que tem um trabalho de ‘safari yoga’ e foi ótimo. Daí comprei muitos livros sobre o assunto e, desde então, tenho adotado a jornada xamãnica como um meio de auto-orientação, uma forma de me aconselhar. Faço minhas jornadas em busca de auxílio para tomar decisões… Enfim, encontrei minha forma de me comunicar com meus animais. Então foi um envolvimento forte que tive com esse tema nos últimos dois anos.

Janaina MatarazzoNathalia – E como foi essa relação com o lugar e com os animais lá, você tem outros relatos como do escorpião ou da cobra?

Janaína – Sim, há muitos relatos, porque eu sempre via alguma coisa quando estava sozinha. Aliás, eu tive muitos momentos de solidão. Chorei muitas vezes… Foi bem difícil esse processo de digestão e de adaptação. Porque eu larguei tudo, trabalho, país… Tudo! E fiquei dois anos sem ganhar dinheiro no camp. Foi difícil lidar com o medo de estar fazendo a coisa errada. Eu estava feliz, mas havia muitas dúvidas. E se aquilo não desse em nada? Vai que eu estava lá perdendo meu tempo, em lugar de construir uma carreira? Mas falando sobre a questão com os animais, eu tive muitos encontros que senti como algo muito mágico e especial. Porém também tive experiências que tratei com mais naturalidade, achando que talvez fosse exagero tentar encontrar algum sentido oculto… Então eu fico oscilando entre sentir que há sim uma verdadeira conexão maior por trás dos acontecimentos e, em outros momentos, eu mesma desacredito em tudo isso e penso que as coisas simplesmente são como são. É que você está vivendo aquilo todos os dias, então chega uma hora em que quando um animal se aproxima de você é apenas um animal que se aproxima e é só, nada além.Janaina Matarazzo

Nathalia – Mas e quando essa aproximação é mais tensa ou perigosa, como você experimenta esse tipo de contato?

Janaína – Ah, por exemplo, os elefantes ficam lá rodeando o camp, é normal… Você os vê lá e acha tudo muito lindo, mas, de repente, vem um meio nervoso pra cima de você agitando as orelhas e o seu coração pára na boca! Aí você diz ‘ué, mas peraí, cadê aquela nossa conexão sagrada?’. Ou seja, tudo isso se perde porque você fica com medo do que pode acontecer, né?

Nathalia – E o que se pode fazer nesse caso? Como você se defende?

Janaína – Ah, não se defende, não há o que fazer. Conheci um australiano muito bacana que trabalhava com zoológico e foi fazer uma pesquisa com os elefantes em Botswana. Ele queria fazer algo baseado no trabalho dos mahuts, que são aqueles domesticadores de elefantes que fazem o safári montados no animal. Então, esse rapaz australiano tinha um projeto envolvendo um elefante que ele vinha treinando, mas aí ocorreu que um dia esse elefante o matou. Quando isso aconteceu, minha cabeça ficou assim não entendendo mais as coisas, sabe? Isso me chocou um pouco. Havia também um menino da comunidade que amava os bichos – o que é incomum por ali, já que os locais costumam ver os animais ou como ameaça ou como carne pra comer. Mas esse menino era diferente, ele realmente amava os animais e aí aconteceu que ele acabou sendo morto por um hipopótamo.

Nathalia – Olha só…

Janaína – Porque os bichos funcionam assim: se eles se sentem ameaçados eles matam. Para um animal selvagem tudo é perigoso, a selva é muito perigosa, porque você sabe que alguém pode te matar a qualquer momento. A selva é um mundo lindo, mas é tenso! Não há uma espécie na natureza que pode sossegar. Todos os animais que possuem algum predador têm que ficar espertos. A águia vai pegar um esquilinho fofinho que está ali dando mole. A cobra vai comer o camaleão… Outro dia, apareceu um lindo filhote de lagarto no camp. E então, de um dia para o outro, ele sumiu. Eu tenho certeza de que uma cobra foi lá e o pegou. Quase chorei por conta desse lagarto! Então a coisa é assim. Mas eu não gosto de ver o leão matando a zebra, porque ela sofre… Até hoje é algo que eu não gosto de assistir.

Nathalia – Apesar de isso ser algo natural.

Janaína – Então, nesse sentido é um baita aprendizado. Porque aí você percebe que o mundo era assim… É selvagem. Aí, voltando àquele lance da ligação espiritual, você pega duas pessoas que tinham o maior amor e conexão com os animais, mas que foram mortas por eles. O que acontece comigo é que antes eu me sentia mais ‘crédula’, digamos assim. Hoje, há muitas coisas nas quais eu já não acredito mais. Entendeu? Ali é uma coisa nua e crua. Você nasceu, sobreviveu, reproduziu e morreu. Então eu sinto que ainda estou no processo de aprendizagem dentro de tudo isso. Porque, assim como todo mundo, eu também estou buscando o ‘sentido da vida’. Porque estamos aqui? Como chegamos aqui? Aí encontro alguma coisa que parece fazer sentido e fico lá acreditando, como agora que eu estou envolvida com o xamanismo. Mas então acontecem certos eventos que colocam tudo em xeque outra vez e me fazem olhar novamente para tudo isso tentando entender! Porque realmente aquele lugar é lindo, um mundo de sonhos… Mesmo quando você sente medo. Quando você vai ao banheiro e vê uma cobra, por exemplo, é um baita susto que faz seu coração disparar por uns 10 minutos! Ou então, numa noite em que você está sozinho, só com a luz da lanterna, indo pra tenda… Você fica assim meio ligado, atento. Porque tem que estar atento! Há dias em que não vai ter nada lá, mas em outros terá. E essa sensação da coisa latente, desse encontro que pode vir a acontecer em algum momento é algo que fica muito ‘aceso’ em você… E isso, de certa forma, te faz bem.

Nathalia – Porque você se sente vivo.

Janaína – Exatamente. Lá você se sente, de fato, vivo! Você só tem a certeza de estar aí agora. Então você está vivendo naquele instante, presente no momento de estar vivo. E isso eu acho que é um negócio que… Não sei, ali de repente parece estar a ‘resposta’ de tudo. Naquele ‘ali’…

Janaina MatarazzoNathalia – E isso talvez supere qualquer filosofia que ultrapasse ‘aquele momento’… Ou que tente explicar qualquer outra coisa além…

Janaína – É… E é curioso, porque nós brasileiros somos muito emotivos, mas chegou um momento em que eu já não chorava mais. Chegou a passar uns dois meses sem eu ter chorado uma única vez. Tive sim uma fase de choro, mas depois entrei nesse estado em que não tinha mais muito riso ou choro, sabe? Aí, às vezes eu concluía que não é preciso chorar… Para que chorar? Às vezes eu me pegava chorando e me perguntava pra que aquilo, me fazia parar logo com isso. Sabe? Porque parece que a gente precisa ficar inventando pequenos dramas a troco de nada, não é? Como se a gente precisasse se alimentar desses ‘draminhas’. Eu tive muitos momentos de aprendizado solitário, que me fizeram pensar em coisas que nunca havia pensado antes. Porque, estando lá, o tempo inteiro você fica vendo o ‘nascer’ e o ‘morrer’…

“Você só tem a certeza de estar aí agora. Então você está vivendo naquele instante, presente no momento de estar vivo. (…) E ali de repente parece estar a resposta de tudo… Naquele ‘ali’.”

Nathalia – É o lagarto bonitinho que estava aqui ontem e cadê ele hoje?

Janaína – Então… Você fica presenciando esse ciclo o tempo todo. Nas comunidades, por exemplo, em que o índice de AIDS é muito alto, é gente morrendo toda hora. No começo eu ficava muito chocada. Aí, certo dia, um empregado do camp comentou que alguém da família dele morreu. Eu perguntei se ele estava muito triste, mas ele pareceu nem entender a pergunta. Tipo, eles até estão tristes, mas é algo que não deve tomar muito da atenção, porque daqui a uma semana vai morrer mais alguém, mais um sobrinho, um primo… Entendeu? Aí nasce outro e morre outro, toda hora. Eles meio que lidam com isso igual aos bichos, sabe? E vendo isso eu me perguntei: ‘Será que é isso, então? Não precisa ficar chorando, fazendo drama? Será que é só viver e morrer mesmo e pronto, acabou?

Nathalia – E em que ponto você se encontra hoje nesses pensamentos?

Janaína – Acho que agora sinto menos desejo de querer entender muito. Estou mais focada na sobrevivência, no trabalho… Até costumava escrever bastante, mas agora já está bom. Está na hora de concretizar projetos e coisas que quero mostrar. Talvez na próxima exposição eu fizesse um texto bem grande e, de repente, uma foto do mesmo tamanho… Mas não sei, porque é difícil falar sobre o que está por trás daquela imagem. Acho que estou nessa fase de tentar digerir para poder falar sobre a experiência… Ainda não estou conseguindo traduzir o que está sendo tudo isso. O que eu tenho a dizer sobre minha vivência na África? O que foi que eu aprendi que poderia transmitir a alguém?Janaina Matarazzo

Nathalia – Qual o caminho para essa obra, a mensagem…certo?

Janaina – Isso aí… Qual a mensagem? Uma das conclusões que se aprende lá é que na vida você tem que ser forte, você tem que sobreviver. É a lei da selva, mesmo. Até essa questão do choro fica para mim como uma coisa que eu já não me permito muito. Eu me faço engolir o choro. Porque você tem que ser forte… E tem que estar esperto, se não já era! É a lei de todos lá. A águia está logo ali, no alto da colina, olhando para baixo e escolhendo quem será o almoço. Ouvi dizer que no Budismo acredita-se que os animais estão num nível de consciência muito inferior a nós, seres humanos… Mas eu não estou muito certa disso. Quando eu vejo uma águia ou um leão, sinto como se eles estivessem anos-luz à nossa frente, espiritualmente.

Janaina MatarazzoNathalia – Eles parecem viver na sua plena potência, né?

Janaína – Em tudo eles parecem mais avançados! Os bichos aproveitam a natureza… Eles param para ver o por-do sol! Eles sabem apreciar o nascer do sol, sabem respirar o cheiro da grama…

Nathalia – Como você pode saber que eles sabem tudo isso?

Janaína – Ah, então… Não sei, mas é o que eu sinto. Sinto que eles sabem tudo o que há de precioso na vida, tudo. Mas eu fico triste de ver como a natureza está sofrendo. Já me peguei chorando muito por observar as coisas que estão acontecendo. Por outro lado, acredito na força da Mãe Terra.  Acho que quando ela chega com esses desastres naturais, aí ela põe pra quebrar. E penso que talvez isso exista, mesmo… Que, no momento oportuno, a natureza vai fazendo o movimento que precisa ser feito. Mas o importante é dizer que os animais estão aproveitando a vida e a natureza de uma forma que a gente não está. Quer dizer, não digo isso para fazer as pessoas se sentirem culpadas. E mesmo quando estou falando sobre projeto de conservação, não quero que ninguém fique se sentindo mal, se sentindo culpado. Até porque eu acredito que as pessoas estão mesmo querendo mudar. Acho que a consciência está aí e eu tento ser afirmativa. Acredito que tudo irá acontecer naturalmente. Há pessoas que dizem ‘oh, não temos mais tempo’… Acho isso um horror. Nada disso, nós temos tempo sim… Tem tempo.

Nathalia – E a vida sempre vai encontrar uma forma de continuar… A vida não precisa da gente, nós é que precisamos da vida.

Janaína – Sim, a vida sempre vai continuar. Mas essa pegada negativista é algo muito presente lá. Essas organizações que carregam essa bandeira do ‘nós estamos destruindo tudo’ e fazem todo mundo se sentir mal… Eu quero cada vez mais ficar fora desse tipo de pensamento. Às vezes é difícil não cair nesse lugar quando se aborda certas questões, mas todo mundo lá tem consciência e a vida é difícil para todos. É complicado mudar. Então acho que cada coisa vai se encaixando e vai melhorando.

"Sinto que eles sabem tudo o que há de precioso na vida, tudo."
“Sinto que eles sabem tudo o que há de precioso na vida, tudo.”

Nathalia – E quanto ao rio em frente ao camp… Como ficou a situação?

Janaína – Então, quando eu fui para lá, em 2008, o rio já estava quase seco há uns vinte anos. Há um ciclo das águas, que pode ser de quarenta em quarenta anos ou de vinte em vinte anos, algo assim. Aí, como falei antes, o governo cercou a região impedindo o acesso dos animais selvagens à parte do rio que ainda tinha água. Mas aconteceu um fato incrível! Começou a correr o boato de que uma forte enchente se aproximava do delta que alimenta a bacia hidrográfica do país. Nós tínhamos a esperança de que, com isso, o rio em frente ao camp se abastecesse e voltasse a encher. Chamamos um especialista para fazer um estudo. Ele chegou lá no camp, abriu um lap top cheio de gráficos e, baseado nesses dados, concluiu que a água dificilmente chegaria até ali, quase improvável. Disse a inundação atingiria no máximo alguns pontos da cidade e outros locais, mas não ali. Bem, eu nunca acreditei em cientistas… Eles sabem muito, mas não podem saber tudo! E veja só: não apenas o rio voltou a fluir, como também não parou mais! Está lá… Muita água! Chegou até em lugares que já estavam secos há uns 50 anos.

jana-elefantes4Nathalia – Bem, e agora você sente que está em que etapa no seu processo? A África é algo que continua ou já está caminhando para o fim, para uma mudança de ciclo?

Janaína – Acho que a África continua. O Peter, meu namorado, é cineasta… Conheci ele no camp. E foi um contato que, de repente, me fez começar a pensar na possibilidade de produzir uma filmagem lá. Fui com ele para Los Angeles, porque ele produzia muitos programas de TV. Agora está começando a fazer filmes de ficção. Eu me vi naquele mundo de Hollywood, me perguntando o que eu estava fazendo ali… E fiquei tentando entender qual a conexão por trás disso tudo, qual o motivo de eu estar naquele contexto. Pensei ‘então será que é isso? Será que eu devo escrever um filme sobre a África?‘. Mas o que eu falaria? Essas informações todas ficam gravitando na minha cabeça, como uma teia… A teia da aranha, que no xamanismo, é o significado da vida… A teia, a internet, a conexão de tudo. Então, pensando nisso, acredito que a África nunca vai acabar para mim. Eu estou feliz de estar aqui em São Paulo agora, olhando a cidade pelo lado das oportunidades, das portas que podem se abrir e achando o máximo o fato de que aqui você pode pegar um microfone falar o que quiser. Porque você não vai fazer isso na África. É na cidade que você tem a possibilidade de concretizar as coisas. Mas, às vezes, também preciso ficar quieta no meu canto, ficar lá um pouco sozinha… Porque a gente fala dessa bolha de São Paulo e é real. É um segundo pra coisa começar a te enlaçar. Então, há um lado em mim que fica me dizendo que eu deveria ficar um pouco mais aqui, articulando projetos e parcerias etc, mas aí eu percebo que já deu e é hora de sair fora. Porque senão você começa a se enredar.

Nathalia – Você consegue perceber algum aspecto em você que tenha mudando após esse contato com a África? Quem é Janaína antes e depois dessa experiência?

Janaína – Olha, acho que eu nunca mudei, sabia? Sei lá. Sempre fui assim… nunca gostei de pentear o cabelo. Acho que eu só fui aprendendo coisas sobre a vida, entendendo como funcionam as coisas. Mas eu mesma sempre fui assim. Olha isso: acho que nunca mudei! Amadureci, mas não mudei.jana-pessoas3Fotos de Botswana: Janaína Matarazzo – Nature Inspires Life

Anúncios

12 comentários em “Botswana… Janaína… Olhares

    Assim na África, como aqui | sonora letra disse:
    17 de agosto de 2013 às 02:59

    […] Link: Entrevista com Janaína Matarazzo […]

    Carlos Grassioli disse:
    17 de agosto de 2013 às 20:05

    Excelente reportagem ou entrevista. Pra mim,então, foi muito interessante pelo fato de estar relendo o Grande Sertão- Veredas e as reflexões de Janaína, em muitos momentos, são parecidas e outros iguais as de Riobaldo, o personagem narrador. Sobre as relações, homem, natureza, homem com o homem, vida, morte, sentido…confirmando a “sentença” de Guimarães Rosa através de seu personagem: T(Aqui, nas Gerais, em São Paulo..na África.) TUDO É SERTÃO!

      Nathalia Leter respondido:
      18 de agosto de 2013 às 19:32

      Uau Carlos! Não acredito que vc chegou nessa relação… Grande Sertão é sem dúvida um livro de fundo na minha vida e sinto que essa leitura (reverberando no meu inconsciente) foi decisiva para encontrar o fio condutor das narrativas da Janaína… que foram muitas veredas abertas por ela, mas essa questão vida-morte foi e acho que segue sendo premente para quem tem a oportunidade de vivenciar tal tipo de ambiente… a savana, os gerais, o mar de edifícios de São Paulo, com suas veredas asfaltadas… Sem dúvida, td é Sertão. E já q vc tocou nesse assunto, estou postando logo mais um texto que escrevi quando li este livro, há uns cinco anos, e decidi ir conhecer o norte de Minas. Obrigada pela visita e o feed back… volte… sempre. 😉 abraço

        PATRICIA Militzer disse:
        21 de agosto de 2013 às 14:24

        Adorei ler sobre sua aventura consciente na Africa.Eu tambem tenho uma ligacao forte com a Africa do Sul porque passei meus primeiros 11 anos em Upington e de Aar onde estudava.Voltei na ultima vez la em setembro de 2012..Foi maravilhoso!Tambem refiz meu eterico!! Sei que ainda voltarei para la.Gostaria de levar meus outros dois filhos para la.
        Continue seu trabalho maravilhoso!!
        Meu e-mail e: patrimili@hotmail.com
        abracao, Patricia M
        PS: Fiique em contato.

        Nathalia Leter respondido:
        22 de agosto de 2013 às 02:52

        Olá Patrícia, grata pela visita e pelo comentário! Encaminharei seu recado e contato à Janaína Matarazzo… Um abraço e até breve! Nathalia

    Janaina Matarazzo disse:
    27 de agosto de 2013 às 13:50

    Carlos e Patricia, desculpe a demora em responder mas aqui realmente o tempo pode ser meio digamos… diferente! Eu as vezes faço viagens, fico sem internet, e assim vai… Adorei ler as mensagens, é verdade que o sertão esta em todo canto e lugar, porém aqui em particular por ser um clima de savana e bem seco, é realmente um sertão de verdade! Vida árdua, calor que queima no verão, terra seca que não se produz nada… e com a presença de certos… dinossauros… elefantes, rinocerontes, girafas, crocodilos! haha Eu adoro isso, sentir que vivemos nessa era. Semana passada estive num lugar muito interessante, onde encontramos uma das mais antigas pinturas em rochas do mundo… é… o povo passou por aqui temmmmmpos atrás!
    Tudo de bom e vamos falando!
    Janaina

    Arnaldo Souza Zanetta Filho disse:
    4 de outubro de 2013 às 14:52

    Estas fotos são, lindas, e os comentários maravilhosos, parabéns Janaina, que por sinal tem o nome da minha filha.

      Janaina Matarazzo disse:
      7 de outubro de 2013 às 10:13

      Obrigada Arnaldo, fico muito feliz!!!!
      Um abraço e saudações a Janaina ; )

    Arnaldo Souza Zanetta Filho disse:
    4 de outubro de 2013 às 14:56

    Só complementando, a entrevista da Nathalia foi excelente.

    Mariza Lins disse:
    7 de outubro de 2013 às 15:58

    Encantada, fascinada, um aprendizado e muito gratificante poder ler o que pessoas que realmente tem o que falar, que trabalho espetacular, parabéns Janaina…

    Mariza Lins

    Intervenções Artísticas disse:
    19 de novembro de 2013 às 16:35

    […] aqui para ler a entrevista incrível da experiência da fotografa Janaina Matarazzo na […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s