Assim na África, como aqui

Postado em Atualizado em

Há dois meses, tive a oportunidade de conhecer uma figura que, cinco anos atrás, decidiu partir para a África em busca de uma experiência mais profunda e intensa com a natureza. Desde 2008, a designer e fotógrafa Janaína Matarazzo, de 36 anos, vive num safári camp em Botswana, país que concentra algumas das últimas reservas de vida selvagem ainda intocadas pela civilização. De propriedade do ambientalista inglês David Dugmore, o Meno A Kwena é um acampamento permanente todo composto por tendas, localizado nas proximidades de três grandes parques nacionais, onde se realizam os safares fotográficos. Tudo ali se fundamenta sobre questões territoriais. As cercas parcialmente protegem e separam os animais dos homens e de seus rebanhos, num convívio tenso e em constante atrito. São cercas desgastadas e cheias de fendas por onde escapa, vez por outra, a rês desgarrada, errando o caminho para o lado dos predadores… Ou por onde uma hiena a caça de alimento se entranha, invadindo as zonas humanas e causando um estrago ou outro. Caçadores matam animais selvagens para se alimentar ou para proteger o gado. As águas irrigam e nutrem os rios que nutrem a vida. Advém o período de estio, que pode durar sabe lá quantas décadas, secando os leitos e matando de sede as manadas ou forçando migrações em busca de água. Aqui nasce um filhote de lagarto que, ali adiante, morrerá nas mandíbulas de uma serpente. Do alto das colinas, ao sol a pino, pairam as aves de rapina armando a próxima caçada. Entre os homens, a presença de um predador invisível – a AIDS – e o desafio de sobreviver da pecuária em terra hostil, fomentando a busca por projetos de turismo sustentável como alternativa econômica que ponha fim à matança de animais. Janaína Matarazzo faz parte de um grupo de estrangeiros egressos de diversas partes do planeta, que chegam ao Meno A Kwena atraídos pela oportunidade única de vivenciar tal atmosfera. Janaina MatarazzoAntes de ir pra lá, ela já fora filiada ao Partido Verde e trabalhara em projetos sociais da Prefeitura de São Paulo. Quando ainda mal se ouvia falar em Terceiro Setor, ela estava mergulhando nesse âmbito em busca de programas onde pudesse contribuir e produzir diferença. E foi assim que ela acabou chegando à África, realizando um antigo sonho de ver de perto majestosos leões reunidos no fim da tarde, assistindo solenes ao por do sol. Mas, diferente da maioria dos visitantes que rumam para lá interessados apenas no safári turístico, a fotógrafa engajou-se de cara no projeto e, há cinco anos, vem atuando junto à comunidade local e propondo soluções que reconciliem sobrevivência econômica e preservação ambiental. Uma equação que, via de regra, enfrenta barreiras culturais e políticas. Nessa entrevista, Janaína nos oferece um relato de sua trajetória e experiência em solo africano, pontuado por imagens magníficas dessa paisagem que ela vem fotografando nos últimos dois anos e reunindo em seu site Nature Inspires Life. Como proposta de trilha sonora para essa leitura, ouviremos uma das faixas de um disco gravado in loco com personagens locais, que também trabalham no camp e, nas horas vagas, expressam toda sua ancestralidade musical. Outros temas – como infância e família – também fizeram parte da conversa, mas perderam terreno na hora da edição. Relendo o material, acabamos notando como a vida adulta nos absorve em intensos desafios de sobrevivência, exigindo renovados esforços e caminhos que garantam nossa continuidade. Em tal contexto, onde o filhote de leão cresce e vai seguir seu próprio rumo, a família já não é mais o assunto e sim o ‘estar no mundo’. Nascer, crescer, amadurecer, produzir, morrer…  Assim na África, como aqui.

Link: Entrevista com Janaína Matarazzo

Anúncios

4 comentários em “Assim na África, como aqui

    Paulo Saldanha da Gama Filho disse:
    17 de agosto de 2013 às 15:31

    Janaína , minha grande amiga e quase vizinha de casa por um bom tempo rsrs , coincidência ou não, desde os meus 20 anos sou viciado no continente Africano e diretamente pela sua vida selvagem (não sei se é por que eu morei muito tempo em fazenda , mas o caso é que eu acabei tendo um conhecimento profundo pelo animais selvagens africanos) , através de documentários (vício) Exemplo……sei q no bando de leões quem predomina são as fêmeas sendo o macho expulso do bando na sua adolescência e também quando o macho adulto conquista o território de outro macho a tendência é matar os filhotes para a fêmea entrar no cio rapidamente dentre outras particularidades…. , com os Elefantes existe a Matriarca que é encarregada de liderar a manada nos tempos de seca , uma característica que me intriga é comunicação por ultra – sons (nú ao ouvido humano) q os Elefantes possuem podendo alcançar 8 KLM de distância , o filhote de Elefante é super bem protegido pela manada por uma da razões da fêmea só entrar no cio a cada 4 anos. Mas , na minha opinião de leigo o grande rei dos parques Africanos são as HIENAS , não pela beleza e muito menos pela força ou caráqter , mas sim pela capacidade de sobrevivência nos tempos da seca , que é um animal que come e principalmente rouba a carcaça de outros animais devorando-a até os ossos ( pois sua mandibulas tem uma força de 2 toneladas) e parece q os outros animais sabem disso e a temem , até os leões….ENFIM , Janaína poderia ficar escrevendo por horas a fio (me da prazer) , faltaram outras espécies : Zebras , Antílopes , Guinús , Girafas , Guepardos , Leopardos , jacarés , Hipopótamos , as Aves em geral etccc… , mas o mais importante é a côncientização mundial para preservação dos parques Africanos e seus animais , que em sua maioria está a beira da extinçaõ é uma situação bem grave a qual passamos .#### Espero que este pequeno texto chegue até vc Janaína , porque onde você está e o que vc faz , é um dos meus grandes sonhos …..BEIJÃO—SALDANHA .

      Nathalia Leter respondido:
      18 de agosto de 2013 às 21:54

      Caro Paulo, enderecei seu comentário para a Janaína! Grata pela visita e pela troca… Venha sempre. Abraço, Nathalia

    Botswana… Janaína… Olhares | sonora letra disse:
    18 de agosto de 2013 às 21:58

    […] – Leia também o artigo: Assim na África, como aqui. […]

    Janaina Matarazzo disse:
    19 de agosto de 2013 às 07:22

    Saldanha, que maravilha ter notícias suas! Fico muito feliz quando vejo que ainda há pessoas que se preocupam com o meio ambiente e com os animais selvagens, principalmente brasileiros que muitas vezes acabam sendo bem patriotas. Obrigada pelas palavras que motivam, ajudam, dão força, aqui a vida é mais difícil em todos os sentidos e muitas vezes a vontade de abandonar pode ser um pouco forte.
    E o que tenho pra te dizer é que você tem que vir então!!!! Fiquei impressionada com a maneira com que você contou dos animais, você realmente tem uma conexão, um grande interesse. Foi assim que vim, aquela vontade de ver ao vivo e a cores tudo isso foi o que me motivou!
    Beijos e tudo de bom, Janaina

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s