Esfincter

Postado em Atualizado em

Engasguei-me de palavras.

Gestos interrompidos por não sei que outros gestos

Atravessados.

Vou e estaco, marcho

E quedo.

Encrispada no meio de um ato engasgo e chego

Quase a me sufocar.

Quase.

 

Oh, Santo Esfincter,

Bendito músculo que os tubos contrai!

Oh pequena glote que determina os destinos

De tudo quanto pela boca cai,

E dela mesma sai:

Libertai-me num vômito as letras que ficaram secas

pelo caminho nem lá nem cá!

 

Ah, se apenas voar quase

Voar

Se simplesmente abrir os braços e cair,

Despencar, talvez assim

Se meus pulmões

Quase

Plenos de ar,

Se arrebatada quase

Pelo vento e fora de qualquer domínio

Quase talvez

Se assim sem volta,

Sem olhar para trás

Se desenlace o nó do peito

Escancarando o verso preso e a poesia

Que na garganta quase

Entre espasmos

Rodopia.

Quase.

 

Oh, se ao menos um grande susto

Me arrancasse quase

O verbo torto que obstrui as vias da linguagem fluida

E leve. Quase

Ainda engasgo de palavras.

Frase mal mastigada

Tripa de grafia meio digerida,

Semi engolida quase

Desfeita no ácido da língua.

 

Quase…De que me serve?

Melhor seria cuspir!

Ou de um gole por pra dentro, quase

Qualquer coisa quase

Mas agir, agir!!

Mas quase,

Quase

Quase

Quase

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s