Santa Vesgueira

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Eis o que mundo tenta fazer com a gente: nos apontam nossas óbvias dificuldades, desmerecem nossas minúsculas (e vitais) conquistas, querem ‘consertar’ nossas desafinações a todo custo, tentando nos enquadrar em referenciais, conceitos e filosofias de bolso. Para a voz séria e sisuda do mundo, nossos pequenos florescimentos íntimos não têm valor algum. Imagina só se um passarinho, em sua extrema delicadeza e fragilidade, resolvesse, por sugestão de alguém, achar-se incapaz de alçar grandes vôos ou de cantar em sua potência máxima? Que seria de nós se nos bastasse ‘caber’ na estrutura que temos a mão? Se ficássemos no que é ‘suficiente’ e mais adequado à realidade tal como se apresenta? Jamais seríamos artistas! Porque foi justamente sobre aquela vesguice, aquela desafinação, aquela deficiência ou defeito de fabricação, é em cima dessa nossa imperfeição nata que conseguimos, com muito empenho, fundar a poesia de nosso ser. É com esse nosso jeito meio esquerdo e com cacoete para poeta que tecemos um ser suave e poroso…E vem o mundo querendo tirar tudo isso de nós?

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