As estilhaçadas cores da luz – I

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Les colloers brisès de la lumiere…

(Um corpo-a-corpos. Múltiplos pontos, como estrelas no firmamento da pele. Fragmentos que ainda estão em busca de reordenação. Mas são fragmentos brilhantes…Estilhaços que brilham, ainda que desvinculados entre si. Que será que está a se passar nesse corpo? Como desenhar o contorno da constelação que reúne essas partículas? Como mapeá-las??)

O depoimento:

“Sinto-me hoje presa no mundo que criei com minhas próprias escolhas. Tenho desejo de me experimentar, criar, aprender vários ofícios, me reinventar, descobrir quais imagens, quais sonhos me povoam, me habitam. Sinto-me vazia, sem aspirações, nem desejos, nem paixões. Vazia. Sinto-me neutra, sempre resolvendo problemas, cuidando das coisas de ordem prática, a casa, a comida, as roupas, os cheques, as contas, os documentos e pagamentos…tenho dificuldade em me dedicar a mim e me derramo para as necessidades de fora, do outro, do grupo. Acho que nem é mais por fuga e sim por hábito. Por não saber existir de outro jeito. Quando estou parada, sem ter o que fazer, quando eu poderia fazer algo meu, me ocupar dos meus impulsos interiores, do tal do ‘ócio criativo’, falta-me força ou coragem…ou ambas. Às vezes algo me passa, uma idéia…talvez escrevesse um texto ou pintasse um quadro. Mas é volátil, me escapa. As coisas vêm e deslizam de meu interior sem que eu as consiga reter e transformá-las, materializá-las, eu as perco. E então vem o desespero me assombrar e, para afungentá-lo, de novo me vejo buscando o que preparar para o jantar ou algo que restou por fazer. O fora, o fora! E como tampouco sei entregar-me satisfatoriamente a essas tarefas cotidianas, as faço mal, sempre pela metade ou sem presença, sem atenção. Não estou lá, nem estou aqui, em parte alguma me reúno. Sou como as cores fragmentadas da luz estilhaçada em cacos de cristal. Sou as posssibilidades de brilho, de vida, de beleza e radiância espatifadas, quebradas em milhares de partes. Como encontrarei meu modo de existir em tais condições? Como poderei reverberar meu ser de tal maneira? Como pôr o fora para fora?”

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