Fragmentos – I

Postado em Atualizado em

“Monogresso”. Esta palavra estranha e sem nexo me desperta, ressoando junto aos restos de um sonho em que me via sentada numa escrivaninha muito antiga sob a luz de uma lamparina, escrevendo à pena minha auto-biografia. Neste documento, eu declarava que minha existência não se inscrevia propriamente como uma trajetória linear, como uma cadeia de eventos sequenciais rumo a algum horizonte ou qualquer finalidade evolutiva; minha existência se dava, isto sim, de maneira espiralada, simultaneamente ascendendo e descendo, nunca culminando em nada e em parte alguma. Aprofundava-se abismo adentro e então, subitamente, se erguia muito alto para o céu. Idas e retornos, reiterações e curvas. Não uma historia de progresso, de uma ‘escalada individual’, sempre avante, sempre a frente…Mas um monogresso! Um monogresso. E foi isso. E ponto. Assim conlcuí o relato de minha biografia. Como se essa palavra exprimisse algum sentido suficientemente claro e lapidar, capaz de sintetizar com exatidão aquilo que havia sido, em essência, a narrativa deste meu percurso enredado e tecido nos meandros do tempo. Um monogresso.

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